Nós não.

11 de julho de 2013: após anos de certa calmaria, a classe trabalhadora brasileira fez uma grande demonstração de suas forças. Fábricas paradas, lojas, bancos e agências dos correios fechadas, estradas bloqueadas, ruas tomadas, manifestações com, três, cinco, dez, quinze mil pessoas nas ruas. Lindo, belíssimo, maravilhoso. Porém esse dia carregará uma mancha, lamentavelmente durante o ato no Rio. Alguns setores do movimentam contaram com “seguranças” que se enfrentaram fisicamente com setores anarquistas, e tentaram expulsa-los do ato, não contente seguraram um ativista e o entregaram para a polícia.
Gostaríamos de tornar público isso e debater com o conjunto da vanguarda e não fazemos por que concordamos com os “anarcos”, pelo contrário, não temos acordo nenhum com seus métodos, políticas, táticas e estratégias, se tivéssemos ainda estaríamos na primeira internacional. Todavia, não podemos ver passivamente isso e ficarmos calados, pois como diz o ditado popular “quem cala consente”, e nós não consentimos. Quem expulsa ativista é o fascismo, quem prende é a policia. Isso é uma coisa que, nesses mais de 200 anos de movimento operário organizado, concordando ou não, não se entrega alguém para a polícia, pois isso é um crime contra as tradições do movimento operário internacional. E essas organizações têm que ser denunciadas pelo atentado à democracia do movimento.

Nós do PSTU defendemos e sempre defenderemos a democracia do movimento, não por que achamos uma palavra bonita ou por termos acordo poético. E sim porque nós, somos os descendentes históricos daqueles que foram perseguidos pelo próprio movimento, Andreas Nin[i], Trotsky, a Brigada Simón Bolívar[ii]. Defendemos a democracia por que queremos construir um mundo novo, um mundo democrático, um mundo sem fome, sem miséria, sem opressões. Queremos um mundo socialista e não se faz revolução entregando ativistas à polícia.
i]Importante dirigente do marxismo revolucionário na Península Ibérica da primeira metade do século XX. Foi executado provavelmente entre os dias 21 de junho e 24 de julho de 1937, na rodovia que vai de Alcalá de Henares a Perales de Tajuña, perto de Madrid, como parte da ofensiva stalinista de eliminar as principais lideranças trotskistas mundiais. Seus assassinos foram (pseudonimo, seguido de nome): "Bom", "Xvied" (Alexander Orlov) y "Juzik" (José Escoy), agentes dos serviços secretos soviéticos (Maria Dolors Genovés em Operacao Nicolai, el asesinato de Andreu Nin).
[ii] A
Brigada Simón Bolívar foi um grupo de voluntários para combater nas fileiras da
Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), contra a ditadura de Anastasio
Somoza na Nicarágua, Foi organizado a partir de Bogotá por Nahuel Moreno,
recrutou combatentes em várias partes da América Latina, principalmente na
Colômbia. Expulso da Nicarágua pelo governo sandinista, seus membros foram
entregues à Polícia e a CIA, que os torturou.
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